sábado, 9 de fevereiro de 2008

Marquês de Bacalhau


Do carnaval ao futebol, o Rio de Janeiro é o lugar mais confuso do planeta. De uma sociedade mista de etnias e idéias, no século 21 salva-se quem puder no estilo do século XVIII, moral e beleza.

No reino do bacalhau o atleta mais descabido da história da raça humana assume a titular de técnico, mesmo pego no dopping da calvície, deu merda. Não poderia ser diferente, o dono da peixaria falou alto e o peixeiro saiu fora. Não era a dele, mas bem que gostou. Fazer o que? Deu de frente com Kardec, não tem espírito que sossega. É aquela velha história, entrou agora no ônibus e quer sentar na janela, os sábios retrocedem nas suas gafes.

Retroceder jamais. Não é a tônica das escolas de samba que, levando o termo escola ao máximo, escolhem rainhas de bateria que não sabem sambar, muito menos nunca tinham visto uma bateria ranger forte a sua frente. Choramos de tristeza ao ver uma miss quadrada a frente da Vila, uma ex-namorada de piloto a frente da Tijuca, uma atriz a frente da Viradouro. Escola de samba é um templo mágico de cultura e principalmente, devoção de uma comunidade a sua alegria máxima.

Tão grandiosa como é Nilópolis, Padre Miguel, Madureira ou o morro da Mangueira. Vamos nos vender a tela, aos holofotes das câmeras. Durante o ano todo, nada dessa gente dar as caras, ou desfilar beleza entre os barracos. Glórias sempre à Beija-Flor de Nilópolis e sua jovem madrinha de bateria, um deleite da baixada, com orgulho, comunidade que impõe respeito.

Tapa-sexo que custou rebaixamento, quatro centímetros que salvaram a Porto da Pedra, que deveria aprender com os erros e chamar seu povo para a frente da avenida. Agora a comunidade científica tem um novo dilema, além da famosa pergunta “onde começa a vida?”, comum em debates sobre aborto ou células-tronco, o carnaval do Rio lança a temática “onde começa a boceta?”.

Só me falta, agora, aos domingos na quadra da Portela servirem bacalhoada em vez de feijoada, não que me falte respeito ao peixe, mas existem coisas que nunca deviam sair de lugar, como a xoxota, Romário, os desfiles de antigamente e o próprio bacalhau.

2 comentários:

Luigi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luigi disse...

ahahhaha!
muito bom thadeuzão!
O Rio é o paraíso das crônicas!