sábado, 5 de abril de 2008

Sambinha ciclonal

Quais virtudes da música popular são diferentes das virtudes que o samba incorpora, de sambista ao partideiro, seresteiro eterno de uma tradição pandeirística e o balancê que não cansa de desassogar da Lapa à Madureira.

Deleite que a hereditariedade de Diogo Nogueira e Mart´nália não permitem morrer em águas menos rasas de outras culturas cibernéticas. As bênçãos de dois cariocas que em conjunto tiveram que agüentar firme os batuques e os bafos tenebroso de cerveja de seus pais.

A de Martinho é sangue forte, tem uma marra de malandra e uma masculinidade tão delicada que cada passo de seu timbre meticuloso é terreno do sonho e da primazia absoluta. Mart tem um gingado abençoado, negona mermo com orgulho que muitas desconhecem quando observam o sarará do seu cabelo ou a morenice da sua voz. Como se fosse possível surgir uma nova Elza Soares, só o Rio...

Os Nogueira estão esperançosos, o bi-campeão de sambas da Portela ainda é moleque, tem um molejo maroto e ainda se enfeita para as moças da gafieira, é jovem e bem apessoado, tem história na metade dos seu genes o que, de maneira nenhuma, demonstra medo ou pé atrás na hora que o coro tem que comer. Para este espera um poeta romântico, apesar de flertar com um pagode de menos proporção poética e mais bate-estaca, Diogo toma jeito e trova bem, em breve, teremos um bamba.

Meio sem querer a coisa que chama cultura, ou a coisa que samba chama, vira a coisa completa, a coisa que sentimos forte no coração como um surdo marcando a passagem de um rio de lágrimas e risos. Eu sofro demais, eu sofro e ao samba me entrego, é o último fio de alegria do mundo, é a única coisa que mantêm destino de sonhos a Mangueira, Pilares e o Estácio.